Água do Rio Amazonas em lugar da água do Rio São Francisco

Deixe seu voto

Fustigado por secas inclementes, intercaladas de rápidos períodos de chuva também causadores de tragédias, quando na mesma proporção da secura, o nordestino consome seus dias na esperança de, um dia, ter a água perene a jorrar da bica ou da torneira, para irrigar seu pedaço de chão, manter-se vivo e dar vida onde vive.

E essa esperança, de um lado heroicamente mantida pela fidelidade sertaneja, é ao mesmo tempo alimentada e explorada por oportunismos políticos de cores diversas, razão pela qual a solução do problema se situa no futuro.

Se a esperança é última que morre, difícil não é mantê-la enquanto um sertanejo houver de pé!

Água não jorra para o povo, mas votos correm para os espertos! A situação é mais ou menos como a da causa repassada pelo velho advogado ao filho recém-formado na mesma profissão.

Na anedota, pouco depois de assumir o escritório, o jovem advogado, muito eufórico, se chega ao antecessor: – pai, obtive minha primeira grande vitória!

Consegui encerrar aquela causa, que lhe consumiu grande parte da vida – ao que o pai responde: – Na verdade, filho, você acaba de matar a galinha dos ovos de ouro, pois foi com aquela pendenga que eu criei a família e o formei.

Antes e depois dos anéis do imperador, que não fizeram irrigar a terra e secar as lágrimas do sertanejo, muito dinheiro se perdeu em paliativos, quando não em desvios de consciência que permitem a engorda de contas terceiras.

Açudes rompidos ou não construídos, poços sem água ou dentro de grandes propriedades, caminhões-pipa a fazer o jogo de pequenos políticos, cestas básicas em mãos cheias, frentes artificiais de trabalho e de maracutaias.

Toda uma sorte de engabelação já foi aplicada contra o nordestino, que foge no pau-de-arara, quando se cresta a terra e a fome aperta, mas retorna, quando se sabe o chão natal tinto de verde!

Até fazedores de chuva, de araque, já teve o sofrido nordeste.

Ferveu durante algum tempo a discussão em torno da polêmica transposição de águas do Rio São Francisco, à revelia da contestação colocada frente ao que se considera grave agressão ao combalido curso d’água, definido como “de integração nacional”.

E o grito de alerta puxava a denúncia, que antevia o desvio da água dos seus fins sociais depois de desviadas do curso natural. A julgar pelas críticas, denúncias, e sem querer fazer trocadilho, despia-se um santo, mas, ao contrário do mote popular, não se vestia outro.

Contudo, a solução pode estar em outro ponto do mapa. Em sua maior extensão, corre por terras brasileiras o mais caudaloso rio do mundo, do qual pequena parte pode ser transposta para a região do nordeste, sem qualquer prejuízo ao seu curso e ao meio ambiente.

A partir da foz do rio Amazonas, em tubulões submarinos, água doce chegaria a pontos mais convenientes do Maranhão, Piauí e Ceará, por exemplo, de onde seria distribuída para formar lagos e perenizar rios temporários em toda a região atingida pela seca.

Idéia absurda? Isso só técnicos poderão dizer, depois de estudos e análises, considerando todos os prós e contras.

Consumada com sucesso a construção de grandes pontes sobre o mar e de túneis abaixo do mesmo, bem como outras conquistas arrojadas, creio ser a ideia consonante com viabilidade técnica.

O conhecimento humano atingiu estágio, no qual poucos obstáculos são intransponíveis pela engenharia, razão pela qual creio ser possível tornar a ideia realidade.

E a situação infeliz de tanta gente em decorrência da seca natural na região nordestina clama por solução definitiva e sem mais agressões à natureza, em lugar de paliativos à custa do rio já combalido em decorrência de ação predatória.

Por ser o problema da seca nordestina problema nacional e não regional como vem sendo considerada, a transposição de águas do rio Amazonas deve ser executada mediante esforço nacional, somando-se a capacidade de cada unidade federativa, grandes empresas, universidades e Forças Armadas.

Quando me ocorreu a ideia em fins dos anos oitenta, considerei-a maluca, mas voltei atrás cerca de trinta dias depois, ao ler proposta praticamente idêntica de engenheiro francês. A única diferença é que a água seria transposta para a África!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *