Baba-se pelo estrangeiro e faz papel de idiota

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Brasileiro tem verdadeira obsessão por tudo que se diz estrangeiro e importado. Basta o “cara” enrolar um pouco a língua e, logo, tem perto de si, cheios de atenção e salamaleques, patrícios e patrícias nossos que, aos mais comuns dos mortais tupiniquins, não se dignam sequer lançar os olhos.

 

Parece até que o gringo é ser de diferente espécie, tal  a bajulação que lhe é dirigida. Mas, o curioso é que enquanto em seu país de origem, o gringo está sempre levando a culpa por tudo de ruim que aqui acontece, desde a elevação do preço do petróleo até as inclemências do clima.

 

A causa das enchentes e das secas já foi debitada aos testes nucleares e à corrida espacial. Depois criaram o “El Nino”; este, filho do Mercosul!

 

Entretanto, é na área cultural e na comercial que a fixação pelo estrangeiro mais se faz notar, desbancando o nacional, mesmo que superior em qualidade e bom gosto. Qualquer baboseira produzida lá fora  é imediatamente  seguida ou copiada, chegando-se  ao ridículo de a maioria nem saber o que gritam as letras das músicas importadas, e o que ostentam roupas impressas com mensagens em língua estranha.

 

Produtos lançados no mercado com a etiqueta “made in …” (de preferência in USA) são considerados o suprassumo. Essa obsessão boba e cara leva muita gente  a fazer papel de idiota em viagens pelo exterior. No meio dos trecos estrangeiros acabam trazendo, como tais, produtos por nós exportados.

 

Mesmo que não tenha nenhuma predileção por produtos estrangeiros, de consequências advindas da curiosidade ninguém escapa. E foi assim que acabei por sofrer tremenda decepção. Não foi nenhuma novidade tecnológica, roupa, ou outro objeto fabricado por mãos humanas estrangeiras, mas, uma fruta; uma fruta estranha aos nossos pomares.

 

Foi quando se popularizava a fruta kiwi. Ouvira falar do (ou da?) kiwi como se fosse uma das frutas mais saborosas. Quando conheci a novidade, seu aspecto já me fez diminuir o interesse.

 

Kiwi – questão de gosto não se discute!

A coisa mais parece uma batata peluda, pobre em atrativos como cor e brilho, tão comuns às mais prosaicas das frutas nacionais. Fatiada em rodelas, é arremedo de tomate verde enrustido. Provei e não gostei.

 

Não captei o sabor tão decantado por terceiros, o que me fez lembrar os que, mesmo não entendendo bulhufas do que têm diante dos olhos, tecem rasgados elogios a obra de arte assinada por figurão da área.

Achei a fruta carente dos predicados que lhe atribuem, mas gosto não se discute. Por outro lado, que se pode esperar de fruta cujo nome, com duas letras estrangeiras pouco usadas em nossa língua, para ser pronunciado, quase de boca fechada, há que se fazer biquinho? Até parece palavra obscena a ser dita em sussurro, para que não seja ouvida pela madre superiora ao lado!

 

Nossas frutas têm nomes mais simpáticos, pronunciados com a boca bem aberta para que todos ouçam: banana, abacate, abacaxi, pitanga, araçá, goiaba, gabiroba (ainda existe?), jabuticaba, pitanga, manga… Que tal u’a manga saboreada sem medo de se lambuzar com o amarelo de suas entranhas?

E a goiaba? Mesmo com bicho, goiaba é! O araçá e a gabiroba já foram pretexto para alegres excursões vespertinas ao campo, no tempo ainda sem televisão.

 

As duas frutinhas caboclas, embora distantes d’outras mais nobres e, por isso, desconhecidas dos “urbanóides”, merecem citação pelo doce sabor. E tem mais. Abacate vem do abacateiro, árvore frondosa; banana vem da bananeira, possante leque dos nossos quintais.

E kiwi, vem do quê? Para não dizer que não me desperta nenhuma simpatia, pelo menos o som da palavra lembra-me o apito da “Maria Fumaça” …  já tão distante!…

 

 

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