Bajulador, indivíduo desagradável e nocivo ao grupo de trabalho

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Cada um de nós vive num oceano de tipos humanos, cuja diversidade pode chegar ao número de indivíduos em todo o planeta, uma vez que ninguém tem sósia absolutamente idêntica, talvez nem mesmo com a clonagem, pois é quase certo que a cópia se dê apenas no plano físico.

Se a diversidade no físico impressiona sob uma simples comparação, no campo da personalidade as variantes de uma para outro indivíduo são mais sutis, razão pela qual surpresas podemos ter com comportamentos e reações adversas às aparências manifestadas.

Indivíduo aparentemente violento pode revelar-se “coração de manteiga”, enquanto outro com asas de anjo pode ter escondidos os chifres do diabo. Daí a verdade de “quem vê cara não vê coração”!

Deixando de lado as profundezas do inconsciente, outras características afloram com facilidade, e são com elas que lidamos no dia-a-dia das relações com nossos semelhantes.

Uns são extremamente comunicativos, outros fechados em si mesmos. Aos alegres contrapõem-se os tristes; a organização é a marca de muitos, enquanto outros pecam pelo desleixo até com suas próprias vidas.

O fato é que as personalidades se manifestam de formas diversas, o que contribui para o enriquecimento da vida da espécie como um todo, proporcionando, ao mesmo tempo,  infinitas possibilidades de aprendizado.

E assim como elas variam das virtudes aos vícios em cada indivíduo, há pelo menos uma característica completamente antagônica à de outros, o que redunda em foco de antipatia entre pessoas.

Característica marcante e que atrai antipatia,  em determinadas pessoas, é a bajulação, ou puxa-saquismo, em linguagem vulgar.

Em relação a ela levanta-se minha aversão entre os defeitos que tenho, a ponto de ser ríspido só para não parecer puxa-saco. Por mais que me policie, cultivo tolerância zero para com puxa-sacos, e se possível, mantenho-me à distância deles. Assim fico livre de irritar-me.

Mas, quando temos ojeriza por alguma coisa, parece que as ocasiões nos perseguem e, por isso, coleciono diversos casos a envolver puxa-sacos.

Certa vez, estava eu numa festa em casa de certo profissional da imprensa, razão pela qual convidados, em sua maioria, eram funcionários e diretores de grande empresa de comunicação.

Lá pelas tantas, quando grande parte dos presentes já estava na fase de chamar urubu de “meu louro”, um dos diretores cismou de cantar.

Entoou um “Elvira escuta” tão desafinado e fora de ritmo que o homem mereceria o troféu “artista ao avesso”. Sim, porque para  tanto desafinar com outras pessoas, empenhadas na tentativa de  ajudar, só mesmo “artista”. É muito difícil!

Enquanto ele agredia a tradicional canção, à sua frente conhecidíssimo noticiarista e comentarista desportivo mantinha-se, literalmente, de boca aberta, quase em êxtase.

Terminado o suplício, o jornalista, não se contendo, aproximou-se do diretor a exclamar: oh! Doutor Fulano, eu não sabia que o senhor cantava tão bem! Fiquei chocado.

Um homem tido e havido como excelente profissional quase a lamber as botas do chefe! Não deixei a festa porque integrava um grupo participante.

Em outra ocasião, manhã de segunda-feira, o ponto de ônibus estava cheio. Uns regressavam do passeio de fim-de-semana e outros demandavam seus locais de trabalho.

Entre os últimos, notei um baixinho a carregar uma pasta de couro. Ele olhava para o relógio e para a rodovia, ansioso pela condução.

De repente, uma caminhonete entrou na área de embarque/desembarque e dela desceu um grandalhão com ares de importante. O rosto do baixote iluminou-se e, para perto do recém-chegado, ele se dirigiu.

Entabulou monólogo com o grandalhão que, do alto de sua importância, olhava-o com indisfarçável má vontade. O baixote, de boca rasgada até as orelhas, mostrava as canjicas (como diria a mamãe) e nem piscava os olhos fixos na cara do outro.

Assim como chegou, o grandalhão entrou na caminhonete e zarpou. Até parecia ter ali parado só para ter acariciado seu ego; sim, porque também há os que gostam de ser bajulados, cortina de fumaça para esconder possível incompetência.

Com cara de cachorro que caiu do caminhão de mudança, o homenzinho ficou parado a olhar a caminhonete sumir na curva. Depois, virou-se para mim e comentou: – Fui dar uma palavrinha com o chefe e perdi o ônibus! – Bem feito – disse comigo mesmo – Toda vez que puxa-saco aprontasse uma das suas, o troco deveria vir logo em seguida!

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