Bandidos desejam posição de destaque

Ao se levar em conta comportamento diante da criminalidade, percebe-se que a sociedade está acuada, encostada no muro e de cócoras, incapaz de reagir ante a sanha dos bandidos ou inimigos da lei.

Bandidos investem contra a vítima, tiram desta tudo o que tem, incluindo-se dignidade e mesmo a vida, mas os que devem tratar do assunto diante do público pisam em ovos ao se referir aos agentes do crime.

Não importam as ofensas, de todos os gêneros, às vítimas, incluindo-se possível desamparo da família com subtração de quem lhe dava sustento.

Os bandidos têm, ao seu lado, defensores dos direitos humanos, mas esses mesmos direitos não são reconhecidos em relação às vítimas. E essa diferenciação se nota até mesmo na notícia do crime.

Não faz muito tempo, bandidos invadiram residência, dominaram a família, excetuando-se menina de dez anos de idade que os assaltantes não localizaram a tempo de lhe pôr as mãos.

Em segurança e de posse de celular, a garota ligou para o vizinho e este chamou a polícia. Policiais militares chegaram a tempo de flagrar os assaltantes em ação, dominá-los e prender.

No dia seguinte, nota em jornal informava sobre o fato, mas tratando os malfeitores como suspeitos a cometer suposto assalto. Indivíduos suspeitos? Suposto assalto?

Tenha dó ó cara pálida! Os bandidos foram pegos dentro da casa invadida, cujos residentes foram libertados exclusivamente pela pronta ação policial, desencadeada por iniciativa da menina.

A família foi molestada, intimidada, agredida em sua intimidade, e, só não perdeu pertences e valores, quiçá até a vida, para os bandidos, porque a polícia chegou a tempo de impedir a consumação do roubo.

Se os indivíduos eram suspeitos de ter cometido suposto assalto, então suposta família, supostamente, residia naquela casa suposta casa e a polícia, supostamente, compareceu ao local e supostamente prendeu os supostos bandidos. O suposto jornal, por sua vez, deu a suposta nota “jornalística”!

Foi tudo ficção – para o jornal, bem entendido – porque para aquela família foi tudo real e deve ter restado, como sequela, o trauma por tamanha violência.

Não havendo provas que apontem o agente do crime, o envolvido é apenas suspeito e contra ele ninguém pode se levantar, enquanto provas não se apresentem.

Havendo provas materiais e/ou testemunhais contra o agente do crime, não se entende o porquê de qualificá-lo suspeito, passando a criminoso somente depois de julgado e condenado.

A condição de perdedora, da vítima, não se consuma depois de condenado seu algoz! Desde o momento do crime, a vítima fica com todas as perdas imagináveis, e também inimagináveis porque há coisas que só a vítima pode aquilatar.

Quem, de fora, olha o quadro, só consegue fazer comparações entre fatores comuns a todos, mas cada pessoa tem seu mundo todo particular em nada igual ao de outra.

E a vítima tem esse mundo violado, no momento em que alguém lhe tira a segurança, a paz e a dignidade, independente de se lhe subtrair algum bem, ou não.

A vítima sempre perde, muitas vezes fica ao abandono, por vezes incapacitada para o trabalho, enquanto ao criminoso se reconhecem todos os direitos, ditos humanos.

A bandidagem anda tão segura de si que seus expoentes dão entrevistas, como se pessoas “vips” fossem, exigem privilégios, dirigem seus “negócios”, de dentro do presídio quando eventualmente presos, passam aos olhos dos mais simples como benfeitores das comunidades e, pelo visto, exigem tratamento que não os discrimine diante da sociedade. São apenas suspeitos de supostos crimes!

A ousadia já chegou ao cúmulo de processo do ladrão contra sua vítima. Comerciante, depois de sofrer cerca de uma dezena de assaltos em sua padaria, foi surpreendido, certa manhã, ao chegar ao estabelecimento.

Um ladrão estava a fazer ameaças diante do caixa. Tendo o bandido de costas para si, o comerciante não teve dúvidas. Atracou-se com ele, iniciando uma briga que foi engrossada com a adesão de testemunhas, até então inertes diante do fato. Depois de muito lhe bater, amarraram-no e o entregaram à polícia.

Algum tempo depois, outra surpresa para o comerciante. Foi intimado a comparecer ao Fórum, onde estava sendo processado.

Sabe por quem e por quê? Pelo ladrão azarado, que o acusava de atentado à sua “dignidade”, quando foi xingado e surrado em público.

Isso foi o cúmulo da ousadia do criminoso que, frustrado em suas malévolas intenções, tentou virar o rumo da história, contra sua quase vítima no assalto fracassado.

A ousadia foi além do imaginável, porque ele se valeu das vias legais, só não conseguindo seu intento porque o juiz não era da mesma laia do seu advogado.

Também o conceito de violência tem mudado, outro sinal de fragilidade da sociedade diante do crime.

Tanto vítima quanto imprensa, especialmente nos casos de sequestro, informam não ter havido violência, quando o bandido não bate ou fere a vítima.

E o ato do sequestro em si não é violência? Para que ela se consuma há necessidade de sangue derramado? Algumas vítimas chegam a dizer que foram bem tratadas!

Ora, faça-me o favor! Esse comportamento, que demonstra perda da noção de dignidade por parte da vítima, é a “atenuante” de que o bandido precisa para se safar e continuar na prática do crime.

Com perguntas capciosas alguns profissionais da imprensa ainda induzem a vítima a proteger seus algozes: – houve violência? –  bateram em você? – você foi maltratado?

São perguntas hipócritas, cretinas, que não merecem respostas, pois constituem mais uma violência contra a vítima! O susto e o ato de obrigar a vítima a fazer o que não quer já são violências imperdoáveis! Quer-se mais o quê?

E o pior é quando a vítima, por medo ou comodismo, deixa de registrar a ocorrência. Aí está o prêmio máximo dado pela sociedade aos agentes do crime.

O indivíduo, ao deixar de registrar junto à polícia sua condição de vítima da criminalidade, renuncia à sua dignidade de cidadão, assume cumplicidade com o criminoso (ainda que inconsciente), dá carta branca aos bandidos e contribui para maior fragilização da sociedade.

Há que desbanalizar o crime no seio da sociedade e na mente das pessoas, saindo do acuamento para a posição de ataque à criminalidade!

 

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